RESTAURAÇÃO DA DESTILARIA CENTRAL

2013
Lençóis Paulista (SP)

situação

implantação

planta destilaria

corte longitudinal

corte transversal

planta casas

elevação

elevação

planta pavilhão

corte transversal

O conjunto difuso edificado em Lençóis Paulistas é significativo por sua relação com a cidade. Uma oportunidade única de estabelecer uma área pública, dotada de equipamentos educacionais que consolidará usos desejáveis para urbe. Mais que futura escola é um parque.

Todas as estruturas remanescentes serão utilizadas passando a se constituir em um conjunto integral a partir de ações precisas.

Um primeiro procedimento é a reorganização do assoalho original do terreno por meio da construção de uma calçada ou eira. Como um pavimento articulador, este piso incorpora as casas existentes ao conjunto principal da destilaria, lança os percursos transversos que conectam todas as construções que constituirão a escola de formação técnica, une os extremos do terreno e se liga as ruas do perímetro.

Outro importante elemento indutor da conformação do novo conjunto é o pavilhão a ser construído na porção posterior do terreno , definindo por sua ubiquação dois espaços distintos, ainda que abertos e públicos: a escola e a praça de atividades esportivas. Este edifício é o primeiro elemento a ser construído e, partir da instalação de uma oficina de construção será organizada as demais intervenções no patrimônio edificado, constituindo-se desta forma em um centro de formação técnica desde o início. No final admitirá todo o programa de oficinas relativas ao modulo educativo de Técnicas Industriais que seriam dificilmente instalados nos espaços existentes. Volumetricamente é uma barra branca e neutral, de 90 metros de extensão, que funciona como um anteparo visual ao conjunto a ser recuperado. A estrutura em concreto define um espaço único e continuo, organizado por três patamares articulados entre si com pés-direitos variados.

Estas duas ações iniciais insertam claramente o conjunto da escola em um retângulo perfeitamente legível, de fácil compreensão e ,por consequência, de fácil administração, uso e manutenção, liberando os espaços perimétricos para os outros usos do parque.

O conjunto fabril principal da Destilaria será ocupado pelo modulo educativo de Artes. Um plano horizontal de concreto independente das paredes de alvenaria existentes define os novos espaços e coaduna os ambientes compartimentados ao espaço mais amplo. A torre abrigará uma biblioteca comum ao conjunto,  a partir da ocupação das lajes existentes da estrutura, inserindo um novo conjunto de circulação vertical (elevador e escada fixa) nos espaços verticais contínuos. Este novo programa como uma sugestão a ser incorporada ao original, sublinha a importância simbólica deste edifício aéreo que deverá, como um farol, anunciar o novo foro para cidade.

Ocupando o galpão lateral, ao lado deste conjunto, o centro de panificação se ofertará também como um espaço de alimentação do conjunto, aberto para uma praça do café no terraço conformado pelos muros de contenção.

O conjunto de casas existentes será recuperado e mantido, admitindo os módulos educativos de Técnicas Comerciais e Beleza, mantendo desta maneira a integridade inicial do conjunto que acolhia a habitação junto a unidade fabril. Todos os muros, divisas e cercas serão removidos, incorporando-as efetivamente no parque.

Os reservatórios de metal de armazenamento de álcool existentes na porção norte do terreno serão mantidos e utilizados como espaços multiuso para aulas, reuniões, exposições e eventos.

Ao final, a partir de intervenções simples, por meio de uma arquitetura clara e incisiva, o conjunto deverá se articular com a cidade, simultaneamente como estar público e equipamento educacional, aberto e permeável ao uso de todos, religando tempo e espaço, história e vida.

CONCURSO NACIONAL

ARQUITETURA

Alvaro Puntoni, João Sodré, André Nunes (gruposp)
Luciano Margotto (República Arquitetura)
Anderson Freitas, Moracy Amaral, Pablo Iglesias

COLABORADORES

Alexandre Mendes, Rafael Chung
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