MUSEU DA TOLERÂNCIA DA USP

2005
São Paulo (SP)

pavimento térreo inferior

pavimento térreo superior

planta do 1º pavimento

planta do 2º pavimento

planta do 3º pavimento

planta da cobertura

corte longitudinal

cortes transversais

A Área de Acolhimento do Museu da Tolerância não tem portas de fechar. Esse espaço foi concebido como uma esplanada abrigada, sempre aberta aos visitantes que nela se informam das atividades do museu para depois se dirigirem às exposições, biblioteca, aulas, auditórios, coordenação, administração ou, até mesmo, ao café e restaurante dispostos nessa esplanada como se ela fosse um trecho particular das ruas do campus.

Cada uma das atividades contidas no Museu tem sua identidade. É como se a cada atividade correspondesse um “edifício” próprio que faz o Museu como se ele fosse feito pelo conjunto desses edifícios de atividades específicas.

As atividades cotidianas, como os “pequenos espaços” deste Museu, também têm destaque e autonomia. A coordenação foi concebida como um edifício autônomo, uma das suas duas “fachadas” enfrenta a orientação sudoeste e, na face oposta, estabelece uma relação de vizinhança com o “edifício” da biblioteca. Essa vizinhança entre os dois “edifícios” paralelos dão uma ambiência tipicamente urbana para a esplanada junto à entrada: o vazio zenital, como um trecho de rua, onde se implantou o elevador e escada para os acessos verticais. Da mesma maneira, o “edifício” da administração tem plena autonomia, bem como as salas de aula e laboratórios dispostos no primeiro nível acima desta “Área de Acolhimento”. A valorização das atividades cotidianas, de estudo e pesquisa, anima o espaço do museu no seu dia a dia, com certa independência dos grandes eventos nas salas de exposição e auditórios.As salas de exposição e auditórios, como os “grandes espaços” do Museu, têm, naturalmente, sua autonomia e identidade também. Além disso, eles guardam surpresas a quem circule pelos espaços do Museu.

No caso dos auditórios, que são como a extensão da esplanada no nível inferior, a surpresa vem do modo como se utilizaram os desníveis do terreno, de tal maneira que quando se desce da esplanada para o nível dos auditórios a gente se descobre outra vez num térreo naturalmente iluminado e cujo piso se estende o exterior. Tanto a esplanada abrigada como o nível dos auditórios e administração pertencem ao domínio do chão, foram desenhados considerando esse contato direto com o solo, os movimentos de terra e os jardins que ambientam a construção.As salas expositivas pertencem ao domínio do que se eleva completamente solto do chão. Nelas, a surpresa resulta da solução arquitetônica que inverte as orientações, as visuais e as entradas de luz natural.

Uma descrição muito simplificada desta solução arquitetônica é útil para esclarecer esse aspecto.Um prisma elevado maior (60 m x 25 m x 14 m) disposto paralelamente à Avenida e aberto apenas nos topos, respectivamente, sudoeste e nordeste. Um segundo prisma (40 m x 25 m x 7 m) atravessa o primeiro transversalmente de modo que inverte a abertura externa num trecho significativo daquele primeiro prisma e, opostamente, cria um cheio interno naquele primeiro prisma. São essas inversões que as salas expositivas exploram nos percursos de visita deste Museu. Assim, a sala dedicada às exposições temporárias surpreende quando inverte a orientação do prisma principal. De certa maneira, a orientação desta sala faz menção àquela praça que uniria, num único eixo, todas as faculdades ligadas às Ciências Humanas, conforme o projeto original do campus da Universidade de São Paulo. Ela é como um trecho elevado daquela praça projetada.As salas de exposição do acervo têm orientação oposta e surpreendem pela vista panorâmica que oferece do próprio campus respaldado pelo Pico do Jaraguá ao fundo.

Finalmente, a cobertura é oferecida como terraço, pelo panorama do campus, para algumas exposições temporárias e eventos do museu. Julgamos adequada a solução de uso proposta para o subsolo: depósito do acervo, apoios de serviços e também para o difícil problema dos estacionamentos de automóveis.Junto ao chão o desenho do edifício desfruta de uma liberdade geométrica técnica, rigorosamente decrescente conforme vai se enterrando e sobrepondo-se. Ou seja, desfruta de grande liberdade no desenho do piso da esplanada de acesso, é sensivelmente menor ao nível dos auditórios embora ainda goze aqui de uma abusada geometria e, por fim, se restringe aos limites do lote para ocupação do subsolo com muros de arrimo de plena altura.

Quando passa ao volume elevado, a construção se submete ao rigor geométrico da estrutura proposta em concreto armado. São duas paredes duplas e paralelas, como dois pórticos de 60 m de comprimento, feito com um vão de 37.50 m entre apoios e balanços desiguais de 3.75 m e 18.75 m respectivamente. Estes dois pórticos estão distanciados entre si de 20 m e  estão solidarizados e contraventados transversalmente pelas duas vigas do “prisma transversal”. Assim o conjunto ganha grande rigidez e libera as lajes de qualquer função de travamento dos pórticos, por isso, as lajes podem ser apenas “planos horizontais” feitos com lajes maciças de concreto armado protendido com espessura estimada de 30 cm.Desse modo a construção é definida em etapas nítidas de obra.

A oposição entre as construções junto ao chão e soltas dele, e das decorrências técnicas de cada uma destas situações, levam a soluções arquitetônicas diferenciadas que se valorizam mutuamente: ao rigor da estrutura, a liberdade do desenho da praça de acolhimento.É este o projeto que propomos ao Museu da Tolerância.

CONCURSO NACIONAL

ARQUITETURA

Alvaro Puntoni, João Sodré, Jonathan Davies (gruposp)
Angelo Bucci, Ciro Miguel, Juliana Braga (spbr)

COLABORADORES

Edson Riva, Gabriel Manzi
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